A primeira viagem de uma grávida de primeira viagem

AirplaneDescobri minha gravidez quinze dias antes das minhas férias.

Iria para Nova Iorque com a família toda, e estava ansiosa.

Mas foi um horror, por diversos motivos. O primeiro deles é que o início da gravidez é desconfortável (ainda não posso falar das próximas fases, pois não cheguei lá).

Ou seja, ainda que você esteja na rua casa, na sua rotina, com tudo normal, é muito difícil. Pelo menos para mim tem sido.

Eu enjoo, tenho cólicas, dor nos seios, prisão de ventre, variações de humor… sem contar que as roupas, embora ainda não estejam exatamente pequenas, incomodam.

Sim, eu sou um clichê. Tenho tooooodos os sintomas. Delícia, né?

Pois é..

Voltando ao assunto, quando você viaja, tem menos roupas disponíveis pra escolher alguma que não incomode tanto, não está na sua casa pra ir pra sala quando o quarto parece pequeno demais, ou pra cozinha fuçar  geladeira atrás de algo que nem sempre está lá, mas é a SUA geladeira, entende?

Não, frigobar do hotel não é a sua geladeira, vai por mim. Isso parece idiota em qualquer outra fase da sua vida. Nessa, você só quer a SUA geladeira, a SUA televisão. Ah, e o SEU chuveiro!! Porque às vezes você simplesmente está cansada demais para tomar banho em pé e dá nojo sentar um o bumbum pelado num chuveiro desconhecido…

O segundo motivo foi o destino da viagem. Se não tiver jeito, ao menos escolha algum lugar que você já tenha ido e SAIBA que vai amar. Não é hora de arriscar um estilo novo.

No meu caso, amo natureza e locais mais desertos. Nessas férias, especificamente, eu sucumbi ao desejo da maioria e topei ir para Nova Iorque. ERRO!!

Gente, nunca seria a viagem da minha vida, fato. Mas, grávida, sua tolerância é muito mais baixa, assim, coisas que você normalmente não curte, mas que poderia tolerar, ficam absolutamente insuportáveis.

Me irritei com a quantidade de carros, de pessoas, com o tipo claustrofóbico das construções e da organização da cidade… no terceiro dia, torcia para não ter uma crise de pânico. Nos últimos, contava os segundos para ir embora.

Terceiro motivo: o clima. Mesma história anterior. Não é hora de inovar, nem de ir a extremos. Está acostumada com calor, vá para um lugar quente. Com frio? Vá para um lugar frio.

Mas nada meeega calor como o deserto do Atacama ou hiper frio quanto nova Iorque.

Sim, já dei a deixa, né? Pegamos temperaturas negativas todos os dias, com direito a nevasca e sensação térmica de -13ºC. Tá bom? Aí você, que já está desconfortável com as suas roupas, que estão cabendo mais ou menos, precisa ainda colocar várias, umas por cima das outras pra suportar a temperatura.

E mesmo assim passa frio! E quando entra nos lugares, precisa tirar tudo por causa do aquecimento. E precisa ficar carregando aquela roupaiada toda que tirou.

No final do dia, ficava absolutamente exausta.

Ah, outra desvantagem do frio: a calefação.

A calefação resseca a pele e as mucosas. Isso é ruim normalmente, mas, durante a gravidez, é um verdadeiro pesadelo.

Isso porque, grávida faz muito xixi. E tem alterações importantes no padrão de sono.

Aí, meu amigo… vai dormir em um ambiente com baixa umidade… não dá!

Com o ressecamento, você naturalmente acorda para beber água. E aí faz xixi. E bebe mais água. E faz mais xixi. E tem uns sonhos malucos no meio tempo (agradeça sua gestação por isso).

No dia seguinte, você, que já está com sono por causa da gravidez, acorda ainda mais exausta, porque não dormiu nada. E ainda tem que levantar, colocar toooodas as suas roupas desconfortáveis e sair pra passear num clima hostil. Jóia, né?

Quarto motivo: a comida. Eu sempre amei comer e beber. Fiz inúmeras viagens gastronômicas, frequentei restaurantes estrelados… e, aí, de repente, não mais que de repente, engravidei.

E comer virou um suplício. O gosto das coisas muda, os aromas também. Nada te apetece, mas, ao mesmo tempo, você tem uma fome maluca.

Quando está no seu ambiente, é mais fácil lidar com isso. Você vai ao supermercado, compra e come o que te apetecer, na hora que quiser. Pode comer frutas e verduras à vontade, já que você mesma pode lavá-los e prepará-los…

Mas, na terra do Tio Sam, isso não foi tão simples. Eu não podia comer coisas frescas e cruas, pois não sabia como haviam sido preparadas e corria o risco de ter Toxoplasmose (perigosississíssima na gravidez). Me sobrava o fast food e todas aquelas gorogobas americanas que eu odeio.

E eu não podia nem sentir o cheiro. Foi torturante.

Por último: o avião. Se você, como eu, não é ryyycaahhh e não pode viajar de primeira classe, nem vá. Sério.

Normalmente, a classe econômica já é horrorosa. Apertada, com uma comida nojenta… mas a gente aguenta, mantendo os olhos no prêmio.

Na gravidez, isso fica impossível. Aquele aperto parece pior, o cheio da comida, então… meu Deus, está encalacrado no meu nariz até hoje. Tenho arrepios!!

É pra viajar uma horinha ou duas? Tá, beleza, manda bala. Viajar muitas horas, por outro lado…

Ah, e se realmente quiser fazer a mesma bobagem que eu e ir, fale com seu médico antes, isso é importante.

Ele, a depender da sua fase da gestação e condições pessoais, pode te prescrever o uso de meias elásticas ou, até, de remédios anticoagulantes para reduzir o risco de trombose.

Enfim, tudo isso para dizer que viajar é muito bacaninha, mas, do fundo do meu coração, minha amiga, não faça isso no primeiro trimestre.

Dizem que depois melhora, pois os sintomas da gravidez ficam menos desconfortáveis. Mas, como minha experiência foi bem no primeiro, digo: não faça isso com você e com as pessoas que te acompanharão.

Vai ser ruim pra você e para eles. Vem na minha.

 

 

 

 

 

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