Ter ou não ter filhos – eis a questão! Prendi a respiração e mergulhei!

DivingEu queria engravidar. Mas isso não foi sempre verdade.

Minha carreira era mais importante. Achava que a maternidade estragaria tudo, e me colocaria em desvantagem frente aos homens, maioria no meu meio profissional.

E eu tinha razão. Embora muitas mulheres com filhos tenham carreiras brilhantes, o preço que pagam é altíssimo. Eu não queria pagar.

Até que a idade foi chegando… o marco dos fatídicos 35 anos estava logo ali. E todo mundo perguntando: “e os filhos? Tem que decidir…” ou então: “congele seus óvulos!”, diziam os mais muderrrnos.

Meu companheiro dizia querer filhos. Mas não agora.

Se não agora, quando, cara pálida? Quando os riscos aumentarem e as chances de sucesso diminuírem?

E o trabalho, comendo solto…

Depois de muito refletir, conversar, ler a respeito, resolvi que teria um filho.

Sim, resolvi, no singular. Eu sei que é algo a ser discutido pelo casal e tal, mas, no fim, a decisão é nossa, pois o fardo também o é.

É lógico que se o cara não quer, não dá, né? Mas, se ele quer, a hora é decisão nossa sim. Porque a bomba estoura é aqui. E como estoura!

Pois bem. Decidimos (e aqui, no plural), que com a vida que eu levava não ia rolar.

Trabalhava praticamente 7X7, mais de 12 horas por dia, em um ambiente absolutamente estressante. Nem sem filho ia ser possível continuar assim por muito mais tempo (e olha que já vinha nesse ritmo há uns 15 anos, desde que entrei na faculdade).

Era hora de mudar. Abri meu próprio negócio.

Bom, abrir o próprio negócio não deixa a vida exatamente mais fácil (nos deixa bem mais pobres, isso sim), mas, no longo prazo, a ideia seria ter mais flexibilidade, ao menos.

Um ano se passou… nada de sucesso nos negócios… e nada de engravidar!

Feliz portadora de uma endometriose pentelha e lindos ovários policísticos, que sempre cuidaram de manter meu ciclo o mais desregulado possível, cheguei à conclusão de que era hora de uma intervenção.

Minha médica me prescreveu um ciclo de remédios para estimular a ovulação.

Pânico: mas e se vierem gêmeos????

Não, gente, sério… vocês já repararam a quantidade absurda de pessoas que andam tendo gêmeos?

Vááárias amigas minhas com gestações múltiplas! Muito medo!

Até acho prático por um lado, pois a mulher só precisa gestar uma vez, mas, meu Deus, como dá trabalho! E despesa! Não podemos ignorar isso…

Minha médica me tranquilizou, ao dizer que controlaríamos o número de óvulos e tal. Bom, quer saber? Vamos fazer isso.

Aaaaí, minha amiga… sente na cadeira, respire fundo e se prepare para a bomba hormonal.

É um tal de contar dias, fazer ultrassom para contagem de óvulos, coito programado (é, tão sexy quanto isso). Baita pentelhação.

Felizmente, engravidei no primeiro ciclo.

Ansiosa que sou, dias antes do atraso já tinha certeza que havia engravidado.

Comprei um daqueles testes que podem ser usados até 4 dias antes do atraso e usei. Deu negativo. Mas eu juro, juro, juro que vi uma linha beeeeem clarinha.

Para ninguém alegar insanidade (já que só eu conseguiria ver, estou certa disso), fiquei quieta e resolvi esperar uns dias a mais).

Comprei mais um teste. Resolvi que usaria com a primeira urina do dia, 2 dias antes do atraso.

Acordei às 4h da manhã para fazer xixi. Sou ansiosa, lembram? E estava lá o positivo.

ÊÊÊÊhhhh!!!! Tá, pra quem eu conto numa hora dessas? Ninguém, né?

Bom, mas também não dava mais pra dormir. Fui pra sala assistir séries.

Às 5h, achei que já dava pra contar pro meu companheiro. Afinal, se eu podia perder o sono, ele também podia.

Mas, ao ouvir, ele se limitou a rosnar um “parabéns para nós” antes de virar e continuar dormindo.

Ooooiiii? Sério? É isso mesmo? Sim, foi isso mesmo.

Frustrada, voltei pro Netflix e mandei uma mensagem pra minha irmã, chamando-a pra tomar café da manhã.

Às 6h, nada da minha irmã, nem do meu marido.

Oh my God! Oh my God! Oh my God!!!!

Às 7h30min me enchi e comecei a acordar a galera. Broncas de um lado, resmungos do outro… até que minha irmã entendeu o que eu estava dizendo. FI-NAL-MEN-TE!!!! E lá fomos fazer o exame de sangue.

Ao longo do dia, foi uma festa só. Menos pelo meu marido. Ele estava em choque. Meus pais felizes, minha sogra tb… e ele lá, mudo.

Aprendi minha primeira lição: as pessoas têm tempos diferentes. É claro que fiquei incomodada com a reação dele. Mas, com o tempo, percebi que seria muito injusto eu exigir que sentisse o que eu achava que ele deveria sentir, ou que reagisse da forma como eu achasse adequada.

Ainda se passariam algumas semanas antes que ele começasse a se dar conta do que está acontecendo. E eu passei a me divertir com essas descobertas.

 

 

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