Às minhas amigas que foram mães antes de mim

Às minhas amigas que foram mães antes de mim: me desculpem.

Me desculpem por não ter sido acolhedora e por tê-las afastado, por não ter sabido ouvir. Eu não tinha ideia…

Talvez vocês não saibam, mas eu me ressentia por só falarem de gravidez, bebês e essas coisas. Queria minhas amigas de volta, leves, divertidas…

Vocês não eram mais divertidas.

Hoje eu entendo. E entendo também a solidão que sentiram quando as pessoas, como eu, as deixaram se afastar.

Hoje eu entendo que as pessoas se irritam depois que você reclama pela milésima vez dos desconfortos da gestação, que ninguém quer ouvir o coração do seu bebê bater, que, no trabalho, as pessoas preferiam que você simplesmente não estivesse grávida para não “fazer corpo mole”.

Mas você não podia evitar. Hoje eu sei.

Hoje, me ressinto por ter agido como agi. E me envergonho por não ter sido o ombro que vocês precisavam para chorar e para reclamar. Todo dia, se precisassem! Mil vezes por dia!

Hoje eu sei o que é não ter com quem desabafar, dizer que está chato, que está doendo, que  coração está apertado e que eu não consigo, eu simplesmente não consigo trabalhar!

Eu quero trabalhar, mas não consigo… não entendo o que estou lendo, as letras giram e se misturam com meus pensamentos sobre o incrível desconhecido que estou enfrentando.

Eu queria poder dizer isso para alguém sem ser julgada. Porque de pessoas que dizem que tenho que me superar já estou cheia.

De pessoas como as que eu fui eu já estou cheia. Cheia, cheia, cheia.

Eu só queria que o tempo voltasse para abraçá-las e dizer para irem para casa descansar. E para deixá-las chorar à vontade no telefone.

Me desculpem…

 

Isso é hora para a genética atrapalhar?

Eu não estou feliz com os sintomas da gravidez. Não estou mesmo.

E devo dizer: sou um clichê! Tenho todos os sintomas, todos, todos, todos!

E ainda ouço minhas amigas falarem: “nossa, você tá enjoando muito? Eu não enjoava…”; “serio, que está com cólicas, não tive muitas não”; “sono? Isso eu tinha, mas trabalhava numa boa…”

Eu tenho tudo!!! Tenho enjoo, uma fome bizarra, cólicas, gases, constipação (que se alterna graciosamente com diarreia), e uma moleza que me faz demorar o triplo para fazer qualquer coisa.

Se você está conseguindo trabalhar numa boa, putz, você tem MUITA sorte. Eu não estou conseguindo performar nem 1/10 do que fazia antes de engravidar. E estou tendo muito trabalho para disfarçar isso para os meus clientes. Tá osso!

Mas, aparentemente, ter absolutamente todos os sintomas gestacionais não é o suficiente.

Ontem, para minha alegria, descobri que tenho uma condição genética que me faz ter um risco aumentado para a produção de coágulos sanguíneos. Isso, durante a vida, já não é legal, mas, durante a gestação, é especialmente perigoso, pois, naturalmente, toda gestante já tem aumentado tal risco em relação à população em geral.

Moral da história, vou ter que tomar um anticoagulante desde agora até o final da gestação para evitar que eu e/ou me filho morramos.

Isso significa uma picada diária e, ainda, uma conta bem salgada na farmácia.

Tentarei obter cobertura do meu plano de saúde, caso contrário, vai ficar muito difícil.

Nessas horas, fico me perguntando se tomei a melhor decisão quando deixei meu emprego. Fico me perguntando se não deveria ter feito isso em outro momento da vida.

Mas, quando, né? No futuro, minha preocupação será com o valor do colégio, do inglês, do plano de saúde… e não serão despesas menores do que as que estou tendo agora.

Enfim, esses últimos dias não têm sido muito festivos para mim. Aliás, foi por isso que criei esse blog, que não sei se alguém, algum dia, irá ler.

Mas me ajuda a desabafar, porque no mundo físico isso é mais difícil.

Talvez fosse hora de procurar uma terapeuta, mas e essa conta, quem vai pagar?

A primeira viagem de uma grávida de primeira viagem

AirplaneDescobri minha gravidez quinze dias antes das minhas férias.

Iria para Nova Iorque com a família toda, e estava ansiosa.

Mas foi um horror, por diversos motivos. O primeiro deles é que o início da gravidez é desconfortável (ainda não posso falar das próximas fases, pois não cheguei lá).

Ou seja, ainda que você esteja na rua casa, na sua rotina, com tudo normal, é muito difícil. Pelo menos para mim tem sido.

Eu enjoo, tenho cólicas, dor nos seios, prisão de ventre, variações de humor… sem contar que as roupas, embora ainda não estejam exatamente pequenas, incomodam.

Sim, eu sou um clichê. Tenho tooooodos os sintomas. Delícia, né?

Pois é..

Voltando ao assunto, quando você viaja, tem menos roupas disponíveis pra escolher alguma que não incomode tanto, não está na sua casa pra ir pra sala quando o quarto parece pequeno demais, ou pra cozinha fuçar  geladeira atrás de algo que nem sempre está lá, mas é a SUA geladeira, entende?

Não, frigobar do hotel não é a sua geladeira, vai por mim. Isso parece idiota em qualquer outra fase da sua vida. Nessa, você só quer a SUA geladeira, a SUA televisão. Ah, e o SEU chuveiro!! Porque às vezes você simplesmente está cansada demais para tomar banho em pé e dá nojo sentar um o bumbum pelado num chuveiro desconhecido…

O segundo motivo foi o destino da viagem. Se não tiver jeito, ao menos escolha algum lugar que você já tenha ido e SAIBA que vai amar. Não é hora de arriscar um estilo novo.

No meu caso, amo natureza e locais mais desertos. Nessas férias, especificamente, eu sucumbi ao desejo da maioria e topei ir para Nova Iorque. ERRO!!

Gente, nunca seria a viagem da minha vida, fato. Mas, grávida, sua tolerância é muito mais baixa, assim, coisas que você normalmente não curte, mas que poderia tolerar, ficam absolutamente insuportáveis.

Me irritei com a quantidade de carros, de pessoas, com o tipo claustrofóbico das construções e da organização da cidade… no terceiro dia, torcia para não ter uma crise de pânico. Nos últimos, contava os segundos para ir embora.

Terceiro motivo: o clima. Mesma história anterior. Não é hora de inovar, nem de ir a extremos. Está acostumada com calor, vá para um lugar quente. Com frio? Vá para um lugar frio.

Mas nada meeega calor como o deserto do Atacama ou hiper frio quanto nova Iorque.

Sim, já dei a deixa, né? Pegamos temperaturas negativas todos os dias, com direito a nevasca e sensação térmica de -13ºC. Tá bom? Aí você, que já está desconfortável com as suas roupas, que estão cabendo mais ou menos, precisa ainda colocar várias, umas por cima das outras pra suportar a temperatura.

E mesmo assim passa frio! E quando entra nos lugares, precisa tirar tudo por causa do aquecimento. E precisa ficar carregando aquela roupaiada toda que tirou.

No final do dia, ficava absolutamente exausta.

Ah, outra desvantagem do frio: a calefação.

A calefação resseca a pele e as mucosas. Isso é ruim normalmente, mas, durante a gravidez, é um verdadeiro pesadelo.

Isso porque, grávida faz muito xixi. E tem alterações importantes no padrão de sono.

Aí, meu amigo… vai dormir em um ambiente com baixa umidade… não dá!

Com o ressecamento, você naturalmente acorda para beber água. E aí faz xixi. E bebe mais água. E faz mais xixi. E tem uns sonhos malucos no meio tempo (agradeça sua gestação por isso).

No dia seguinte, você, que já está com sono por causa da gravidez, acorda ainda mais exausta, porque não dormiu nada. E ainda tem que levantar, colocar toooodas as suas roupas desconfortáveis e sair pra passear num clima hostil. Jóia, né?

Quarto motivo: a comida. Eu sempre amei comer e beber. Fiz inúmeras viagens gastronômicas, frequentei restaurantes estrelados… e, aí, de repente, não mais que de repente, engravidei.

E comer virou um suplício. O gosto das coisas muda, os aromas também. Nada te apetece, mas, ao mesmo tempo, você tem uma fome maluca.

Quando está no seu ambiente, é mais fácil lidar com isso. Você vai ao supermercado, compra e come o que te apetecer, na hora que quiser. Pode comer frutas e verduras à vontade, já que você mesma pode lavá-los e prepará-los…

Mas, na terra do Tio Sam, isso não foi tão simples. Eu não podia comer coisas frescas e cruas, pois não sabia como haviam sido preparadas e corria o risco de ter Toxoplasmose (perigosississíssima na gravidez). Me sobrava o fast food e todas aquelas gorogobas americanas que eu odeio.

E eu não podia nem sentir o cheiro. Foi torturante.

Por último: o avião. Se você, como eu, não é ryyycaahhh e não pode viajar de primeira classe, nem vá. Sério.

Normalmente, a classe econômica já é horrorosa. Apertada, com uma comida nojenta… mas a gente aguenta, mantendo os olhos no prêmio.

Na gravidez, isso fica impossível. Aquele aperto parece pior, o cheio da comida, então… meu Deus, está encalacrado no meu nariz até hoje. Tenho arrepios!!

É pra viajar uma horinha ou duas? Tá, beleza, manda bala. Viajar muitas horas, por outro lado…

Ah, e se realmente quiser fazer a mesma bobagem que eu e ir, fale com seu médico antes, isso é importante.

Ele, a depender da sua fase da gestação e condições pessoais, pode te prescrever o uso de meias elásticas ou, até, de remédios anticoagulantes para reduzir o risco de trombose.

Enfim, tudo isso para dizer que viajar é muito bacaninha, mas, do fundo do meu coração, minha amiga, não faça isso no primeiro trimestre.

Dizem que depois melhora, pois os sintomas da gravidez ficam menos desconfortáveis. Mas, como minha experiência foi bem no primeiro, digo: não faça isso com você e com as pessoas que te acompanharão.

Vai ser ruim pra você e para eles. Vem na minha.

 

 

 

 

 

O primeiro pré-natal e o fim do drama do Beta HCG

A primeira coisa que você aprende quando descobre que está grávida é que tem que medir o raio do Beta HCG.

Em poucas palavras, ele é o único hormônio que excretamos exclusivamente quando ficamos grávidas e, por isso, é sua presença, no sangue ou na urina, que faz com que o teste de gravidez apareça positivo.

Bom, até aí, maravilha. Na minha cabecinha amadora, eu só tinha saber se sua presença era positiva ou negativa, certo? Nããão, errado.

A verdade é que a velocidade e forma de aumento desse hormônio é um indicador de evolução ou não da gravidez.

Ahhh, meu amigo… ansiedade à vista! Porque como eu vou saber se o raio do Beta está evoluindo adequadamente? Google, né? Hum, e aí começa o drama.

Existem milhares de chats, sites, apps, que indicam a quantidade de hormônio adequada para cada fase da gestação, só que é uma bagunça infernal.

O intervalo aceitável pelas tabelinhas disponíveis é gigante, e, inevitavelmente, você acaba entrando naqueles chats em que mães tão ansiosas, despreparadas e neuróticas quanto você estão. E elas ficam comparando os números!!

Meu Deus, é enlouquecedor, especialmente se você, como eu, tem números muito menores do que elas estão exibindo…

E os meus eram baixinhos… nem vou colocar aqui para você não querer comparar com o seu. Esse é justamente o ponto desse post: não faça isso! Não compare seu número com os das outras mães.

Quase me descabelei até descobrir isso. Inclusive, fiz um ultrassom antes da hora só pra ver se me acalmava. E claro que não me acalmei.

No final, fiquei tão desesperada que, inclusive, fiz um novo exame de sangue no mesmo dia em que fiz meu segundo ultrassom, tudo antes da primeira consulta de pré-natal, pense no tamanho da ansiedade.

E o número ainda estava mais baixo dos que eu via na Internet… mas o bebê estava lá! Com perninhas e tudo!

Moral da história: sim, avaliar sua evolução hormonal é importante, mas a única pessoa que tem condição de fazer isso é o seu médico. Não você. Sinto muito.

Hoje, finalmente, com 8 semanas, passei pela minha primeira consulta de pré-natal (não fui antes porque estava viajando em férias), e vi que, de fato, está tudo correndo bem com a minha gestação. Não havia motivo pra neuras.

Minha médica, fofíssima, aliás, me explicou que a evolução do hormônio só é relevante no comecinho, até que o bebê possa ser visto pelo ultrassom. Depois, não importa mais. E que realmente cada organismo é de um jeito.

Assim, não surte, relaxe. Faça os exames que seu médico indicar, e converse COM ELE sobre os resultados. Sua gestação é tão única quanto você.

Ter ou não ter filhos – eis a questão! Prendi a respiração e mergulhei!

DivingEu queria engravidar. Mas isso não foi sempre verdade.

Minha carreira era mais importante. Achava que a maternidade estragaria tudo, e me colocaria em desvantagem frente aos homens, maioria no meu meio profissional.

E eu tinha razão. Embora muitas mulheres com filhos tenham carreiras brilhantes, o preço que pagam é altíssimo. Eu não queria pagar.

Até que a idade foi chegando… o marco dos fatídicos 35 anos estava logo ali. E todo mundo perguntando: “e os filhos? Tem que decidir…” ou então: “congele seus óvulos!”, diziam os mais muderrrnos.

Meu companheiro dizia querer filhos. Mas não agora.

Se não agora, quando, cara pálida? Quando os riscos aumentarem e as chances de sucesso diminuírem?

E o trabalho, comendo solto…

Depois de muito refletir, conversar, ler a respeito, resolvi que teria um filho.

Sim, resolvi, no singular. Eu sei que é algo a ser discutido pelo casal e tal, mas, no fim, a decisão é nossa, pois o fardo também o é.

É lógico que se o cara não quer, não dá, né? Mas, se ele quer, a hora é decisão nossa sim. Porque a bomba estoura é aqui. E como estoura!

Pois bem. Decidimos (e aqui, no plural), que com a vida que eu levava não ia rolar.

Trabalhava praticamente 7X7, mais de 12 horas por dia, em um ambiente absolutamente estressante. Nem sem filho ia ser possível continuar assim por muito mais tempo (e olha que já vinha nesse ritmo há uns 15 anos, desde que entrei na faculdade).

Era hora de mudar. Abri meu próprio negócio.

Bom, abrir o próprio negócio não deixa a vida exatamente mais fácil (nos deixa bem mais pobres, isso sim), mas, no longo prazo, a ideia seria ter mais flexibilidade, ao menos.

Um ano se passou… nada de sucesso nos negócios… e nada de engravidar!

Feliz portadora de uma endometriose pentelha e lindos ovários policísticos, que sempre cuidaram de manter meu ciclo o mais desregulado possível, cheguei à conclusão de que era hora de uma intervenção.

Minha médica me prescreveu um ciclo de remédios para estimular a ovulação.

Pânico: mas e se vierem gêmeos????

Não, gente, sério… vocês já repararam a quantidade absurda de pessoas que andam tendo gêmeos?

Vááárias amigas minhas com gestações múltiplas! Muito medo!

Até acho prático por um lado, pois a mulher só precisa gestar uma vez, mas, meu Deus, como dá trabalho! E despesa! Não podemos ignorar isso…

Minha médica me tranquilizou, ao dizer que controlaríamos o número de óvulos e tal. Bom, quer saber? Vamos fazer isso.

Aaaaí, minha amiga… sente na cadeira, respire fundo e se prepare para a bomba hormonal.

É um tal de contar dias, fazer ultrassom para contagem de óvulos, coito programado (é, tão sexy quanto isso). Baita pentelhação.

Felizmente, engravidei no primeiro ciclo.

Ansiosa que sou, dias antes do atraso já tinha certeza que havia engravidado.

Comprei um daqueles testes que podem ser usados até 4 dias antes do atraso e usei. Deu negativo. Mas eu juro, juro, juro que vi uma linha beeeeem clarinha.

Para ninguém alegar insanidade (já que só eu conseguiria ver, estou certa disso), fiquei quieta e resolvi esperar uns dias a mais).

Comprei mais um teste. Resolvi que usaria com a primeira urina do dia, 2 dias antes do atraso.

Acordei às 4h da manhã para fazer xixi. Sou ansiosa, lembram? E estava lá o positivo.

ÊÊÊÊhhhh!!!! Tá, pra quem eu conto numa hora dessas? Ninguém, né?

Bom, mas também não dava mais pra dormir. Fui pra sala assistir séries.

Às 5h, achei que já dava pra contar pro meu companheiro. Afinal, se eu podia perder o sono, ele também podia.

Mas, ao ouvir, ele se limitou a rosnar um “parabéns para nós” antes de virar e continuar dormindo.

Ooooiiii? Sério? É isso mesmo? Sim, foi isso mesmo.

Frustrada, voltei pro Netflix e mandei uma mensagem pra minha irmã, chamando-a pra tomar café da manhã.

Às 6h, nada da minha irmã, nem do meu marido.

Oh my God! Oh my God! Oh my God!!!!

Às 7h30min me enchi e comecei a acordar a galera. Broncas de um lado, resmungos do outro… até que minha irmã entendeu o que eu estava dizendo. FI-NAL-MEN-TE!!!! E lá fomos fazer o exame de sangue.

Ao longo do dia, foi uma festa só. Menos pelo meu marido. Ele estava em choque. Meus pais felizes, minha sogra tb… e ele lá, mudo.

Aprendi minha primeira lição: as pessoas têm tempos diferentes. É claro que fiquei incomodada com a reação dele. Mas, com o tempo, percebi que seria muito injusto eu exigir que sentisse o que eu achava que ele deveria sentir, ou que reagisse da forma como eu achasse adequada.

Ainda se passariam algumas semanas antes que ele começasse a se dar conta do que está acontecendo. E eu passei a me divertir com essas descobertas.